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Delicate Notes

As memórias são para ser partilhadas

Dar tempo ao tempo

Bc i miss you.

São os se's que nos ficam a ecoar na cabeça. As palavras por dizer, as decisões precipitadas e os beijos não dados. O tempo perdido. Porque quando damos conta, já passou, já aconteceu. E não o vivemos. 

15 de Setembro. O meu dia de anos e a mensagem de aniversário que mais queria receber era a dele. Queria ver se ia ser carinhoso comigo ou se ia manter a distância ou se nem se quer me ia dar os parabéns. Mas deu. Acordei logo de manhã com a mensagem dele, distante, mas ainda assim uma mensagem. Eu tinha dito a mim mesma que não ia deixar a amizade ficar para trás, que ia lutar por isto. E foi isso que fiz. Nesse dia falámos sobre o primeiro dia na Metropolitana e a conversa foi distante, como conhecidos a conhecerem-se. Foi então que, após ele ir dormir lhe deixei uma mensagem a dizer que não estava disposta a perder a nossa amizade e que quer ele quisesse, quer não, eu ia chateá-lo de vez em quando para saber como ele estava. E foi aqui que as coisas começaram a melhorar. A resposta dele fez-me andar com um sorriso nos lábios durante as primeiras duas semanas de aulas. Fomos falando, um bocadinho cada dia era suficiente para me confortar. Para sentir que ainda era um bocadinho meu. Eu achava mesmo que as coisas, com o tempo, iam voltar ao lugar. Falávamos como se nunca tivessemos acabado. Na altura em que tomei esta decisão, a 29 de Agosto, eu disse-lhe que se me arrependesse eu é que teria de levar com as consequências. E por isso mesmo, não fui falar com ele nunca, mesmo estando a sofrer. Se não tivesse sido ele, a voltar a falar comigo, a dar-me esperanças...Mensagens que eu acreditava serem verdade. 

29 de Setembro. Duas semanas passaram e eu tinha a sensação de o ter perdido. Não falávamos desde Sexta. Até que foi aqui que a bomba rebentou. Ele voltou para a V. O que eu tanto temia, aconteceu. E todo este tempo, ele fez isto para se vingar de mim, porque segundo ele andei a gozar com a cara dele. Sim, porque eu terminei com ele porque me deu gozo, por gosto de o fazer sentir mal. Coitadinho, deve ter sofrido tanto. Basicamente, enquanto tentava resolver as coisas com a V., dava-me esperanças como se fossemos voltar. A M. (melhor amiga dele e grande amiga minha) e a V. achavam que ele estava a resolver as coisas como deve de ser. Que já me tinha contado que tinham voltado. Mais uma mentira. Ele não me disse nada e disse-lhes a elas que já me tinha contado. Na noite de segunda-feira não chorei. O que sentia era mais raiva que outra coisa. A V. veio falar comigo e digo-vos que a conversa me soube bem. Finalmente pusemos assuntos que trazíamos atravessados há anos em cima da mesa e esclarecemo-los. Fiquei admirada com a atitude dela, revelou ser madura e uma pessoa que eu achava que ela não era. Mas isso não muda nada.

30 de Setembro. A sensação de que alguém me arrancou algo, uma dor no peito, uma sensação de falta de ar atingiu-me nessa noite. Abri a janela, pus música nos ouvidos e chorei a olhar para as estrelas. Deitei tudo cá para fora. Tudo. Ela confrontou-o e ele disse que só fez isso para se vingar. Aliás, ele respondeu-me "É assim, o que é que tu pensavas? Andaste montes de tempo a gozar comigo e agora não te fazia nada? Estavas enganada." Eu achava que ele tinha crescido, que tinha mudado, que as coisas estavam diferentes. Defendi-o de todos os meus amigos, alegando que ele não era aquilo que revelou ser e que sempre me disseram que ele era. Nunca me tinha sentido assim. Nunca. É como se tivessem arrancado um pedaço de mim, como se levasse um murro na cara e a dor não passasse. 

Se eu tivesse estado mal como estava e como vos contei, no início do mês, por esta altura já me sentia muito melhor e estava a conseguir recompor as coisas. Mas não, assim foi pior. Eu estava mal, voltei a estar bem por achar que as coisas iam voltar e depois é como se tudo me caísse em cima, fiquei ainda pior do que já estava.

E depois uma amiga minha que também anda na Metropolitana vinha com ele no comboio e ela deve ter-lhe dito que estava a falar comigo e ele disse "diz-lhe olá". Ele deve achar que continuamos amigos ou que eu quero se quer que ele se aproxime?? Pelo que percebi, ele acha que aquelas duas semanas eu andava a brincar com ele e que já não gostava dele, que foi exatamente o que andei a tentar provar-lhe, que gostava. Ele tem medo de ficar sozinho, só pode. 

Irrita-me saber que o continuo a querer, todos os dias. E que no entanto, ele não merece isso. Irrita-me a crer que se me desse uma oportunidade eu voltava. Porque depois de tudo isto, tenho de ser racional. E por mais que me magoe mais estar sem ele que com ele, esta atitude foi muito forte. Magoou-me e continua a magoar-me todos os dias, mesmo que ele não tenha noção disso. Não tenha noção do que fez. Porque na verdade, de mim ele não merece nada. Nem raiva ele merece. E continua a ter tudo e a achar que basta estalar os dedos quando lhe apetecer e ter-me de novo. Porque eu sei que vai acontecer. Esta história já é antiga. Ele saltita entre mim e ela. E ele vai voltar. Mas aí vou ter de ser mais forte e não querer, por mais que, no fundo queira. Porque por mais que diga e prometa a mim própria que nunca mais volto, acabo sempre por voltar. Mas desta vez tem de ser diferente.

Mas contudo, ainda tenho esperança. Ainda espero que volte. E se pudesse, voltava atrás um mês e fazia tudo diferente. Por outro lado, isto ensinou-me o tipo de pessoa que não quero para mim. Eu só precisava que passasse agora, não daqui a não sei quanto tempo, como toda a gente diz. Que com o tempo tudo passa. Mas eu não quero com o tempo, quero AGORA. Porque está a tornar-se demasiado doloroso.

Talvez um dia voltemos. Talvez nunca voltemos. Mas agora, o que somos? Apesas estranhos com algumas memórias.

 

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Beatriz, 17. Ciências e Tecnologias


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