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Delicate Notes

As memórias são para ser partilhadas

O fim à vista?

@kristalrenwick

Dizem que tudo tem um fim, mas o fim disto eu achei que não fosse chegar tão cedo, pelo menos até entrar na faculdade. Este ano letivo passado já foi marcado por uma grande desmotivação, mas lá se fez, e para o ano não sei se volto a pôr lá os pés. A verdade é que ter estado tanto tempo afastada fez com que muitas coisas ficassem por registar aqui. Esta é uma delas. Apesar do amor à dança, na realidade aquela sala já não é o espaço para me despir dos problemas, das incertezas, dos meus medos, para estar ali e ser um instrumento. Sinto-o sim, como um espaço que ainda traz mais stress à minha vida, um espaço onde me obrigam a definir o ballet como prioridade e um ambiente rodeado de pessoas falsas. O mundo do espetáculo é um pouco disso também, há de tudo, como em todo o lado. Pessoas que fazem de tudo para chegar onde querem, incluindo espezinhar os outros, pessoas que se acham as maiores do mundo, e quando isso chega à professora e essas pessoas conseguem inclusivé levá-la atrás das suas ideias, é coisa para me deixar possessa. Eu posso bem com elas, mas chega a um momento em que farta, cansa.

Se é difícil deixar para trás um coisa que respiramos desde os 3 anos de idade? É e questiono-me sempre se não me vou arrepender de não aproveitar este que seria o último ano, provavelmente. Mas por muito que adore dançar, já cheguei a um nível de saturação. Já não aguento mais estar ali, com aquelas pessoas, naquele ambiente. Ter aulas todo o ano em que a atenção recai sempre para a mesma aluna e as outras que se arranjem, chateia. Mas depois ver os resultados dos exames e ver que desde que entrei para ali, consegui sempre ser a melhor nota, mesmo quando não puxam por mim é reconfortante. Isso, os comentários depois dos espetáculos, depois das aulas abertas, que levo com muito carinho para a vida.

Ando ali por andar quase. E é pena sair chateada com tanta coisa. Prefiro ficar com as boas memórias. As semanas de ensaios intensivas, o nervoso, as borboletas na barriga antes de pisar o palco, que por mais anos de experiência, nunca se perdem. Os pés sangrentos e cheios de bolhas, que já só aguentavam as pontas com ligaduras e proteções de silicone (e sim, isto é uma boa memória!). E a amizade que levo de uma pessoa que esteve lá comigo, desde sempre e que me motiva a permanecer lá com ela. Não imaginam o esforço que se faz, para mesmo tendo um horário do pior que se pode ter, ainda conseguir treinar até às 22h da noite, mesmo que nesse dia tenha saído de casa às 08h da manhã.

O ballet é especial, é exigente, é desafiante, é belo, é deslumbrante. E a dança vai estar em mim para sempre. É caso para dizer: After all this time? Always. Em Setembro é o mês dos recomeços e é aí que vou decidir se vou ou não para o ballet. Por mais que deixe, a dança ficará sempre em mim e nunca vou parar. Uma vez bailarina, sempre bailarina.

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Beatriz, 17. Ciências e Tecnologias


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