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Delicate Notes

As memórias são para ser partilhadas

(outra vez) a C e pela última vez

A C. já foi a protagonista de vários textos meus aqui no blog e hoje não será excepção. Mas será a última vez. Não sei se se recordam da situação de uma amiga minha, a C. que descobrimos estar com uma depressão (ou inventada por ela, já nem sei), mas pronto, ela cortava-se. O meu grupo chorou por ela, fizémos tudo para a fazer sentir bem, integrada e ela só soube foi dar-nos para trás. Afastou-se e juntou-se a quem nunca lhe ligou. Mas nós fomos persistentes. Nós não desistimos dela, até hoje. 

No final do ano passado, as coisas começavam a voltar ao normal e a tomar os contornos certos. Mas eu sabia que se havia amizade que não íamos conseguir manter era a dela. Eu sentia. E isso está hoje provado! O grupo todo unido, menos a C. Desde que mudou de escola, ela mudou, está diferente. Ou melhor, eu apoio a teoria de que ela não mudou, apenas pôde finalmente revelar-se e ser quem sempre quis. Ter os amigos que quer, sair à noite, embebedar-se, fumar, perder a virgindade, ter tudo o que quer na palma da sua mão e ser uma pessoa vazia, sem objetivos. A própria mãe dela deixou de ter controlo sobre a situação. Primeiro está com uma depressão em cima, devido ao divórcio. E por causa disso, ela tenta dar tudo o que a C. quer, tudo para que a C. queira ficar com ela, goste mais dela. Mas a C. gosta de quem tem mais dinheiro. Esta é a realidade e nesta situação, o pai é quem tem mais dinheiro. Portanto a mãe bem pode tentar, dar o mundo por ela, que ela vai sempre defender o pai. Basicamente chegou a um ponto em que a C. a tem sob controlo, em vez ser ao contrário. 

Durante todo este ano letivo e vocês bem sabem o esforço que eu fiz para manter amizades (as que valiam a pena!), eu metia conversa com ela, tentava saber o que se passava, o que acontecia, como é que ela se sentia na nova escola, as novas amizades. Interessava-me por ela, mostrava preocupação. E o que ela disse à A. é que gostava quando nós o fazíamos, quando punhamos conversa com ela. E eu? E nós? Nós não gostamos? Também não gostamos de saber que ela se preocupa connosco? Pois, mas foram 0 as vezes que foi ela a pôr conversa comigo e se o fazia a conversa recaía sobre os interesses dela. Mas eu cansei-me de correr atrás, cansei-me de preocupar sem ver retorno. E não voltei a pôr mais conversa com ela. 

Em Janeiro, nos anos da minha melhor amiga (que faz parte do nosso grupo), vamos chamar-lhe A1, eu comecei a sentir as coisas diferentes. Mas nessa altura, ainda punha conversa com ela. Aliás, a nossa última conversa foi a 20 de Fevereiro (um mês depois dos anos). Mas como estava a dizer, as coisas estavam diferentes. Ou melhor, ela sempre foi assim, com o seu lado de convencida, mas agora estava mais intenso e chegava a tocar o arrogante. Nós contávamo-lhe as novidades e ela desvalorizava tudo o que de bom acontecia na nossa vida, evidenciando o quão melhor era o namorado dela, a vida dela, o facto de ter um iphone (que a faz claro uma pessoa superior) e de em pleno Inverno estar vestida de Verão, just like a slut. Senti-me triste. Por um lado, eu sabia que ia ser assim, que o desfecho era este, a partir do momento em que ela se afastasse de nós. Mas tentei não acreditar nisso e lutar para que isto não tomasse estas proporções.

Afinal, os novos amigos dão-lhe uma coisa que nós não damos: estatuto social. Nós não saímos todas as sextas e sábados à noite (isto é uma piada para o meu pai), não nos embebedamos até não sentirmos a cabeça, não fumamos à porta da escola porque somos fixes, não andamos com a barriga à mostra e calções-cueca ou leggins até ao umbigo e não nos pintamos como palhaços. Nós temos objetivos, queremos fazer algo com a nossa vida, temos sonhos para realizar...Sonhos que vão além disto. 

Hoje a C. faz anos. E ao pensar o quão feliz eu era há 2 anos atrás. Estávamos na casa dela, a pintar as unhas, a ver o jogo de Portugal no Euro e a rirmos até às quatro da manhã como umas doidas. No dia seguinte íamos à praia e neste dia eu pensei que tinha encontrado as minhas pessoas. Tão ingénua! Na verdade tinha, todas elas, menos a C. 

Este ano eu e a A1 não fomos convidadas. A M. e a A2 foram. E tudo porquê? Porque continuam a ir atrás dela como umas cadelinhas. Porque se submetem e deixam-se ser rebaixadas por ela. Porque mesmo que ela não lhes ligue nenhuma, elas continuam a correr atrás. Mas para mim chega. A A2 perguntou-lhe se nos tinha convidado e ela ganhou vergonha na cara e pôs no nosso grupo no facebook "os meus anos vão ser hoje às xx, no sitio xx, preciso de saber quem vai". Adivinhem só qual o programa! Sair à noite, beber até cair. 

A minha vontade para ir e conviver com as pessoas dela era nula e também o meu pai nunca me deixaria ir sair para um bar. Como tal, disse-lhe que não podia ir. E obtenho a resposta "pois, já estava à espera". E foi aí que explodi e espalhei o meu veneno. Disse-lhe: "C. não precisavas de me convidar só para não parecer mal ;)" Sim, pus mesmo este smile irónico...Porque convidar pessoas a faltarem horas para a festa, é mesmo a querer que elas vão! Ela respondeu "sim, B, sim! o que eu mais preciso são discussões". Limitei-me a dizer-lhe que não estava a discutir, apenas a dizer-lhe que não me tem de convidar por obrigação. Mas reparem que ela não negou, apenas usou a desculpa que usa sempre. Mas mais tarde, fugiu-lhe a boca para a verdade: "sim, eu só convidei a M. e a A. porque elas são as únicas que ainda falam comigo". Aí surgiu uma grande discussão entre nós todas em que a única coisa que fizémos foi alimentar algo sem solução, um caso perdido e magoar-nos umas às outras. E depois a forma como ela escrevia, à xunga, a tratar-nos por amor e a dizer que só se arrependia era de ter voltado a falar com a A1. 

Pior ainda foi aquilo que ela disse e que magoou a A1: "uma coisa podes ter a certeza: pelo menos não são pitas mimadas e com a mania que são gente fina, pelo menos sabem divertir-se sem mostrar tudo o que têm e sem se armarem ao contrário de ti.  Fica bem." Isto deu-me vontade de rir, a sério. É que aquilo que ela a acusou de ser é exatamente a descrição de si própria, mas eu disse-lhe isso mesmo. Mas ela nem respondeu, só criou conflitos com A. 

Eu conheci a C. na natação, ao mesmo tempo em que conheci a A2. Não gostávamos umas das outras. Éramos do pior! A A2 e a C. eram melhores amigas e quando soube que no básico a A. ia entrar para a turma, detestei a ideia. Mas o tempo foi passando, e a ideia que temos das pessoas (ainda para mais, cenas de infância) vai mudando. Hoje em dia eu e a A2. somos grandes amigas e foi por intermédio da A2. que o nosso grupo se começou a dar com a C. Continuava a ter dúvidas em relação a ela, mas decidi dar uma oportunidade e num ano, os momentos que passámos juntas ultrapassaram qualquer uma dessas dúvidas. Hoje voltámos ao ponto de onde começámos. 

Se me perguntarem como me sinto neste momento, digo-vos que estou bem em relação a isto. Uma das minahs qualidades é não dar demasiada confiança às pessoas e de não acreditar que elas são a bondade em pessoa e corações moles (que é exatamente o que a minha melhor amiga faz e depois acaba por sofrer o dobro). Porque na verdade eu sempre soube que isto ia acontecer. Já sabia que não ia ter retorno, pelo que agora na hora em que aconteceu, não estou abalada como a A. E escrever isto ainda me deixou mais descontraída, aliviada e com a sensação de capítulo encerrado.

Realmente há pessoas que entram e saem da nossa vida. Neste caso, tinha mesmo de sair. E se saiu, é porque não faz assim tanta falta. Até um dia C. 

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Beatriz, 17. Ciências e Tecnologias


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