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Delicate Notes

As memórias são para ser partilhadas

D. again

I want to see you be brave.

Eu pensava que o post em relação ao pedido de desculpas dele ia ser o último. O último em que eu falaria disto aqui. Mas não, porque ele tem sempre o dom de me trocar as voltas cada vez que estou a ficar melhor. 

No Domingo a seguir ao jantar da SFH, mandou-me mensagem. Curioso, que é sempre depois de me ver que se lembra de me dizer qualquer coisa. Como se fosse o seu ponto fraco. Enquanto não me vê, fica tudo bem. Quando me vê, lembra-se que existo. A mensagem referia-se ao facto de eu ter ido perguntar à melhor amiga dele, que também é minha amiga, se tinha sido ela a dizer-lhe para me pedir desculpa. É que no dia anterior a isso, eu tinha falado com ela e disse que só queria um pedido de desculpas sincero, então achei estranho. E ele disse-me porque é que não tinha confiado nele e tinha de ter ido perguntar à M. Isto teve realmente piada. Confiar nele? Confiança foi tudo aquilo que ele quebrou e que com os últimos acontecimentos não me parece que a vá recuperar. Basicamente a conversa não desenvolveu muito, porque eu mostrei-me sempre fria, como se pouco me importasse o que ele tinha para dizer. Ele começou logo com coisas se eu gostava do T. porque tínhamos estado "muito juntinhos". Isto é no mínimo ridículo. Eu e o T. somos amigos muito próximos. Conhecemo-nos desde a primária e contamos tudo ao outro. Agora já não podemos estar juntos num sítio a conversar? Nem lhe respondi mais. Aliás, ele só faz isto com medo que eu tenha outra pessoa. Porque ele pode seguir com a vida dele, mas eu não. Eu tenho de estar disponível para ele voltar quando quiser. Mas para mim já chega.

Quinta-feira de manhã, dia 16 de Outubro, recebo uma mensagem a perguntar se tinha saudades de falar com ele. Não respondi. Não valia a pena alimentar mais isto. À noite tinha uma mensagem a dizer "Porque é que não respondes? Eu sei que fui estúpido em fazer tanta merda, mas podias odiar-me menos e falar comigo." Disse-lhe que não tinha nada para lhe dizer. Mas depois a conversa começou a avançar e a tomar um rumo que não me estava a agradar. Se ainda gostava dele, se sentia falta dele, que ele podia ter inventado a história da vingança só para ficar com a V. e na realidade nunca ter gozado comigo, que já fez muita merda a mim e à V., mas que só de uma é que sente verdadeiramente falta. E daqui progredimos para um "quero-te de volta". Só se fosse parva é que eu cedia a estes joguinhos. Antes de gostarmos de uma pessoa, temos de gostar de nós próprios. Amor próprio é fundamental para superar estas situações. Ele não tem noção das coisas que anda a dizer a uma e a outra e das pessoas que anda a magoar. Se pensava que me ia ter sempre ali cada vez que saltita entre mim e ela, estava enganado. Porque chega a um ponto em que acabou, chega. Não se estala simplesmente os dedos e as coisas acontecem e fica tudo bem. Perdoar é fácil, mas voltar a ter confiança é uma história completamente diferente. 

Tudo isto me deixou reticente entre contar ou não contar à V. Tendo em conta que da última vez que uma coisa destas aconteceu, há quase um mês atrás, falámos, eu considerei o peso das duas. Contar porque ela merecia saber e eu gostava que ela fizesse o mesmo comigo, caso eu namorasse com ele e nas costas ele andar a fazer isto. Não contar porque não queria ser motivo de desentendimento entre eles ou que achasse que lhe estava a contar com segundas intenções. Decidi contar-lhe, falar com ela e saber se eles tinham acabado, o que tinha acontecido. Basicamente eu tinha-o confrontado com o facto de saber que se eu dissesse que não, ele voltava para ela, mesmo dizendo que gostava de mim e que não entendia isso. Para mim é impensável estar com uma pessoa diferente da que gosto. 

Ela contou-me então que ele tinha dado um tempo. Nesse mesmo dia, ele pediu-lhe uns dias para pensar. Ou seja, adivinhem só para quê! Esses dias eram os dias em que ele me ia encher a cabeça com falinhas mansas e rezar para que eu aceitasse voltar para ele. Caso isso acontecesse, ele acabava com ela. Se eu dissesse não, ele continuava a namorar com ela como se nunca tivesse acontecido o percalço "eu" pelo caminho. Basicamente eu e a V. unimo-nos e eu mandei-lhe mensagem a dizer que desistisse porque queria seguir em frente. Tal como prevíamos, passado uns segundos ela já tinha uma mensagem dele a dizer que já tinha pensado, para ela esquecer e que estavam bem. Bingo! O que ele não esperava era que logo de seguida levasse com uma mensagem dela a acabar com tudo. Claro que ele a seguir a isso, só se enterrou e não justificou nada das suas atitudes, revertendo o facto de terem acabado para a distância e não para aquilo que tinha acabado de fazer comigo. Enfim. Sinceramente eu tive medo que ela cedesse. Que voltasse para ele. Porque ela nessa sentido é mais frágil que eu, cai mais facilmente na conversa. Tanto que voltou para ele após coisas às quais eu nunca me sujeitaria. Mas por agora, ela tem-se mantido forte. Esta coisas realmente só fazem com que o sentido diminua cada vez mais rápido. E por mim, tudo bem. Visto que agora nem o vou ver durante meses, torna tudo mais fácil. Mas esta história ainda vai voltar. Se já dura há quase 3 anos, os capítulos do desespero do Diogo parte 39875 ainda está para vir! Não percam.

Ele pediu desculpa

E queria que ficássemos amigos. Pena que só agora se preocupe com isso. Agora é tarde. Demais. Não preciso de desculpas se ainda não tiver percebido o quanto me magoou e que sirvam apenas para lhe tirar o peso da consciência.

Dar tempo ao tempo

Bc i miss you.

São os se's que nos ficam a ecoar na cabeça. As palavras por dizer, as decisões precipitadas e os beijos não dados. O tempo perdido. Porque quando damos conta, já passou, já aconteceu. E não o vivemos. 

15 de Setembro. O meu dia de anos e a mensagem de aniversário que mais queria receber era a dele. Queria ver se ia ser carinhoso comigo ou se ia manter a distância ou se nem se quer me ia dar os parabéns. Mas deu. Acordei logo de manhã com a mensagem dele, distante, mas ainda assim uma mensagem. Eu tinha dito a mim mesma que não ia deixar a amizade ficar para trás, que ia lutar por isto. E foi isso que fiz. Nesse dia falámos sobre o primeiro dia na Metropolitana e a conversa foi distante, como conhecidos a conhecerem-se. Foi então que, após ele ir dormir lhe deixei uma mensagem a dizer que não estava disposta a perder a nossa amizade e que quer ele quisesse, quer não, eu ia chateá-lo de vez em quando para saber como ele estava. E foi aqui que as coisas começaram a melhorar. A resposta dele fez-me andar com um sorriso nos lábios durante as primeiras duas semanas de aulas. Fomos falando, um bocadinho cada dia era suficiente para me confortar. Para sentir que ainda era um bocadinho meu. Eu achava mesmo que as coisas, com o tempo, iam voltar ao lugar. Falávamos como se nunca tivessemos acabado. Na altura em que tomei esta decisão, a 29 de Agosto, eu disse-lhe que se me arrependesse eu é que teria de levar com as consequências. E por isso mesmo, não fui falar com ele nunca, mesmo estando a sofrer. Se não tivesse sido ele, a voltar a falar comigo, a dar-me esperanças...Mensagens que eu acreditava serem verdade. 

29 de Setembro. Duas semanas passaram e eu tinha a sensação de o ter perdido. Não falávamos desde Sexta. Até que foi aqui que a bomba rebentou. Ele voltou para a V. O que eu tanto temia, aconteceu. E todo este tempo, ele fez isto para se vingar de mim, porque segundo ele andei a gozar com a cara dele. Sim, porque eu terminei com ele porque me deu gozo, por gosto de o fazer sentir mal. Coitadinho, deve ter sofrido tanto. Basicamente, enquanto tentava resolver as coisas com a V., dava-me esperanças como se fossemos voltar. A M. (melhor amiga dele e grande amiga minha) e a V. achavam que ele estava a resolver as coisas como deve de ser. Que já me tinha contado que tinham voltado. Mais uma mentira. Ele não me disse nada e disse-lhes a elas que já me tinha contado. Na noite de segunda-feira não chorei. O que sentia era mais raiva que outra coisa. A V. veio falar comigo e digo-vos que a conversa me soube bem. Finalmente pusemos assuntos que trazíamos atravessados há anos em cima da mesa e esclarecemo-los. Fiquei admirada com a atitude dela, revelou ser madura e uma pessoa que eu achava que ela não era. Mas isso não muda nada.

30 de Setembro. A sensação de que alguém me arrancou algo, uma dor no peito, uma sensação de falta de ar atingiu-me nessa noite. Abri a janela, pus música nos ouvidos e chorei a olhar para as estrelas. Deitei tudo cá para fora. Tudo. Ela confrontou-o e ele disse que só fez isso para se vingar. Aliás, ele respondeu-me "É assim, o que é que tu pensavas? Andaste montes de tempo a gozar comigo e agora não te fazia nada? Estavas enganada." Eu achava que ele tinha crescido, que tinha mudado, que as coisas estavam diferentes. Defendi-o de todos os meus amigos, alegando que ele não era aquilo que revelou ser e que sempre me disseram que ele era. Nunca me tinha sentido assim. Nunca. É como se tivessem arrancado um pedaço de mim, como se levasse um murro na cara e a dor não passasse. 

Se eu tivesse estado mal como estava e como vos contei, no início do mês, por esta altura já me sentia muito melhor e estava a conseguir recompor as coisas. Mas não, assim foi pior. Eu estava mal, voltei a estar bem por achar que as coisas iam voltar e depois é como se tudo me caísse em cima, fiquei ainda pior do que já estava.

E depois uma amiga minha que também anda na Metropolitana vinha com ele no comboio e ela deve ter-lhe dito que estava a falar comigo e ele disse "diz-lhe olá". Ele deve achar que continuamos amigos ou que eu quero se quer que ele se aproxime?? Pelo que percebi, ele acha que aquelas duas semanas eu andava a brincar com ele e que já não gostava dele, que foi exatamente o que andei a tentar provar-lhe, que gostava. Ele tem medo de ficar sozinho, só pode. 

Irrita-me saber que o continuo a querer, todos os dias. E que no entanto, ele não merece isso. Irrita-me a crer que se me desse uma oportunidade eu voltava. Porque depois de tudo isto, tenho de ser racional. E por mais que me magoe mais estar sem ele que com ele, esta atitude foi muito forte. Magoou-me e continua a magoar-me todos os dias, mesmo que ele não tenha noção disso. Não tenha noção do que fez. Porque na verdade, de mim ele não merece nada. Nem raiva ele merece. E continua a ter tudo e a achar que basta estalar os dedos quando lhe apetecer e ter-me de novo. Porque eu sei que vai acontecer. Esta história já é antiga. Ele saltita entre mim e ela. E ele vai voltar. Mas aí vou ter de ser mais forte e não querer, por mais que, no fundo queira. Porque por mais que diga e prometa a mim própria que nunca mais volto, acabo sempre por voltar. Mas desta vez tem de ser diferente.

Mas contudo, ainda tenho esperança. Ainda espero que volte. E se pudesse, voltava atrás um mês e fazia tudo diferente. Por outro lado, isto ensinou-me o tipo de pessoa que não quero para mim. Eu só precisava que passasse agora, não daqui a não sei quanto tempo, como toda a gente diz. Que com o tempo tudo passa. Mas eu não quero com o tempo, quero AGORA. Porque está a tornar-se demasiado doloroso.

Talvez um dia voltemos. Talvez nunca voltemos. Mas agora, o que somos? Apesas estranhos com algumas memórias.

 

You, you, you

"Sometimes I can't sleep at night. There's an emptiness there. From when you'd keep me up past 3am because you cared. (...) You're still keeping me up. But I haven't talked to you in some time. You're just in my head. You expect me to forget our nights, us, you. You expect me to pretend it never happened. (...) Forgive me for believing in a forever. I forgot that things can end. (...) But you know why it's so goddamn inpossible for me to let you go? Because every song, every moment, every person, I relate to you. Because you brought me out of hell, just to put me back again. And that little taste of heaven, oh god. That was you. You. You. You. You. You. You. You. You. You. You little shit. You fucked me up. I still can't sleep tonight. I'm rambling. Making my own cliché. Because of you. You little shit."

Pós-vindimas

Daydreaming♥ | via Tumblr

Custa sempre, custa sempre chegar ao final da festa. Após 6 dias intensos, que nem sempre foram os melhores, tendo em conta tudo o que se passa com o D., agora que estava a ficar bom é que acabou. E a seguir a isso, vem uma pseudo-depressão por querer mais dias de festa. E porque a festa assegurava que o via. E eu bem que adivinhava que se estava mal antes da festa começar, quando acabasse ainda seria pior. Porque nunca mais o vou ver, pelo menos com a regularidade que via. E depois os carrosséis, os amigos, os concertos, a convivência, o cortejo, adoro tanto! Passamos um ano à espera e depois passa tão rápido. Este ano foi o primeiro em que bebi (sempre com moderação). Defendo muito a ideia de que para nos divertimos não precisamos de álcool, mas sim beber um copo ou dois porque realmente gostamos. Afinal, a Festa das Vindimas é exatamente para promover o vinho da região. Este ano foi vodka preta, sangria, caipirinha e moscatel (o anfitrião da festa). 

Mas voltando à nostalgia pós-vindimas, durante os últimos anos tenho sido invadida por um sentimento de nostalgia e saudade não só em relação às vindimas, mas a todos os momentos especiais. Talvez seja esse o pagamento por viver momentos tão bons! Mas os momentos bons passam rápido e a saudade mata, literalmente. As memórias, recordo-as com um sorriso, mas com dor ao mesmo tempo. É uma sensação tão estranha...

Hi. Well, I love you. I always did. And I always will. Bye

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Um dia bom, um dia mau, um dia bom, um dia mau. Tem sido assim desde 29 de Agosto. Pouca vontade de comer, lágrimas nos olhos e sem vontade para nada. Já não canto como se estivesse a dar um concerto ou danço pela casa feita estúpida como fazia antes. Dormir é a resolução dos meus problemas. E acreditem que isto não se enquadra nada em mim. Nunca me tinha acontecido. 

Um dos motivos pelos quais acabei com o D. (o motivo com menos relevância) foi porque não é fácil manter uma relação à distância e conseguir concentrar-me nos estudos. Porque uma coisa era estar com ele nos intervalos das aulas, outra completamente diferente é investir tempo fora disso, tempo que por vezes preciso para dormir de tão cansada que estou ou que não tenho disponível porque preciso de me focar no meu objetivo. E não ia pôr o meu futuro em jogo por causa de um rapaz, por mais que gostasse dele. A realidade é que em vez de me livrar disso, só ganhei mais problemas. Um arrependimento na decisão que me deixa em baixo e depois ainda problemas com amizades. Mas a parva sou eu. Porque já não é a primeira vez que acontece a mesma coisa com a mesma pessoa e eu dou sempre outra oportunidade, perdou-o sempre porque acabo por me sentir culpada. Mas está na altura de eu dar um rumo a isto porque se eu mudar ninguém muda por mim! Vou simplesmente deixar de me preocupar com as indirectas e insultos e nem vou esforçar-me por salvar isto outra vez, porque não vale a pena. Por mais que voltemos a estar bem nunca vou ganhar confiança para lhe contar as minhas coisas sem ter medo que as espalhe ou as use contra mim quando nos chatearmos. E por isso, o melhor mesmo é eliminá-la da minha vida para parar de me magoar a mim mesma com isto. E é mesmo assim. Algumas pessoas entram, outras saem. Acredito que fica quem eu preciso de ter comigo.

Quanto à outra amizade, eu preciso dessa pessoa na minha vida e sei que ela vai sempre ficar. Mas desde Maio e devido ao D. temos tido várias desavenças, tudo porque ele gosta de mim. Teve atitudes que me magoaram muito e não concordo na forma como agiu, mas não o censuro porque não sei como agiria na situação dele. Eu acho que apoiava o meu amigo, mesmo que estivesse destruída por dentro e não o mostrava, mas cada um tem o seu feitio e maneira de agir. Se era porque comecei a falar com ele, ficava chateado, se começámos a namorar, ficou chateado e agora por acabarmos também. Porque eu não lhe contava as coisas. Como é que é suposto ir esfregar na cara de alguém que gosta de nós problemas com a pessoa de quem gostamos? Mas pronto, este assunto já está resolvido. A bomba rebentou e eu tive de descarregar tudo, deitar tudo para fora. E disse-lhe que era a última vez. Que estava farta de correr atrás..de se tínhamos algum problema eu é que tinha de correr atrás para o resolvermos, porque se tinha algum problema deixava de me falar ou agia de forma diferente comigo. Hoje ligou-me e uma hora, que começou com discussão acabou numa conversa que me acalmou em relação ao D.

E por fim, falta o D. Segunda-feira é o primeiro dia dele na Metro e é também o meu dia de anos. Aquele que há um mês atrás nós imaginávamos de forma de diferente daquilo que vai ser. Vou esperar que ele me dê os parabéns e se não der (que duvido), vou falar com ele e dizer-lhe que não estou disposta a perder a nossa amizade. Que não estou mesmo! E que quer ele queira quer não, eu vou chateá-lo de vez em quando para ir sabendo como vão as coisas. Se algo mais não resulta, então pelo menos vamos manter uma amizade especial depois de tudo o que já passámos desde há dois anos atrás, quando me viste pela primeira vez no espetáculo de ballet com a banda.  

Foi só há um mês atrás que nós ficávamos acordados até ao amanhecer. A falar sobre a vida e sobre nós. Só há um mês. E não tarde nada já passou um mês desde que tomei uma decisão de que ainda não sei se me arrependo ou não.  Mas eu vou descobrir e caso for afirmativo, desta vez vou ser eu a lutar por ti. Foste sempre tu e agora vou ser eu. Vou trazê-lo de volta.

Vou deixar de estar como nas últimas semanas porque já não aguento mais. Vou fazer algo com a minha vida, porque preciso de me estudar com jeito e se estiver mal as coisas não vão correr bem.

E agora vou mas é para o Happy Holi levar com cores pela cara e ouvir boa música para ver se me divirto que também mereço. Vai ser o fim do meu verão!

09h30

Δ Welcome to Neverland Δ | via Tumblr

09h30 de Sexta-feira. Há meses que não acordava tão cedo. Vai começar. Vai começar uma nova fase, uma nova vida, um novo ano, novos esforços, novas lutas. Vai ser tão duro. Acho que nunca fui tão desanimada para uma apresentação. Sem vontade, sem motivação, sem força para ter de enfrentar aqueles bichos que frequentam a escola. Nunca em ano algum eu não estava entusiasmada com o material ou com o facto de ir rever os amigos. Mas este ano foi diferente. Este ano foi doloroso entrar lá. Não estava feliz nem com vontade de começar um novo ano! Nunca mais o vou ver nos corredores, sentado nas salas de aula, a atravessar o pátio e sentir o olhar a recair sobre mim. E agora nunca mais. Vai estar a começar o seu sonho e isso deixa-me feliz, mas enche-me de uma sensação que se assemelha a faltar o fôlego e só me faz querer chorar. E isso está a destruir-me. Havia sempre aqueles dias da semana em que eu já sabia que ele tinha aulas no mesmo bloco que eu e que nos íamos cruzar ou que saíamos à mesma hora e que era quase certo vê-lo ao portão. E agora isso acabou. Não me vou acostumar à ideia. Não consigo parar de chorar. Dizem-me que assim é melhor, que não o ver facilita a separação...Mas para mim não. Para mim torna ainda mais difícil. Acabei porque já não suportava mais e agora estou pior sem ele que com ele. Só precisava de esquecer isto tudo, precisava de conseguir concentrar-me nos estudos. Nunca me tinha sentido assim por ninguém. Tudo me faz lembrar de ti.

Aprender a viver sem ti

luxury | Tumblr

Eu sou a pior pessoa do mundo a lidar com sentimentos. E há coisas sobre as quais nós já sabemos o final de cor, mas ainda assim esperamos sempre que desta vez possa ser diferente. Mas não é. E a única coisa que ganhamos com isso é magoar-nos a nós mesmos. 

Ontem fazíamos 2 meses. Fazíamos, dizem bem. Fui eu que acabei, talvez um pouco inconsciente, mas acreditando que era o melhor. E era, e é. Acabei porque me sentia mal, porque não estávamos juntos há quase um mês e não tinha vontade de falar contigo. Ele não entendia que eu não podia falar com ele 24 horas por dia porque estava sem sms's e não podia gastar dinheiro, tal como não entendia quando lhe dizia que não ia contar ao meu pai que namorávamos ou que não podia estar com ele sempre que ele queria porque precisava de alguém que me levasse a ir ter com ele. Para além disso, ele entrou para a Metropolitana, em Lisboa, pelo que mesmo no período de aulas a nossa relação ia ser complicada. É tudo muito bonito essas coisas de "vamos arranjar uma solução" para as relações à distância, mas não é fácil, custa. E se me perguntassem sinceramente, se era isso que eu queria? Lutar por uma relação à distância? Não, não era. Eu sei que isto não seria um obstáculo e uma desculpa se eu realmente quisesse isso, mas a realidade é que não quero. Já não sentia borboletas na barriga cada vez que ia ter com ele, mas sim que era uma obrigação. Aliás, agora vêm as festas populares da minha zona e eu não estava disposta a abdicar de bons momentos com os meus amigos para estar com ele. Para além disto tudo, ainda tenho de definir prioridades e agora o que preciso é de ter média para entrar no que quero e sei que se estivesse mal com ele me iria afetar no estudo. E não ia abdicar de uma coisa que quero desde sempre por causa de um rapaz. Não podia ter coisas a atrapalhar-me. Ele não era uma coisa a atrapalhar-me, mas uma coisa boa que aconteceu numa má altura. Foi um erro ter avançado com isto e "magoá-lo" outra vez, mas tive de ser egoísta e pensar em mim. E aquele magoá-lo está entre aspas porque na realidade, acho que não ficou assim tão afetado. Se calhar aquilo que me dizia não era assim tão verdade. Após ter acabado com ele, falou comigo, pediu-me para pensar, disse que me adorava. Basicamente só dificultou mais as coisas e deixou uma pessoa determinada no que queria confundida e a pensar no assunto. No Sábado, foi a White Party e ele estava lá. Olhava intensamente para mim com a camisa branca (é o meu ponto fraco, são rapazes de camisa branca) e os nossos grupos dançavam praticamente lado a lado várias vezes pela noite dentro. Apeteceu-me várias vezes ir ter com ele, agarrar-lhe na mão e beijá-lo. Mas não o fiz. Pedi-lhe que me deixasse pensar e ele disse "tens o tempo que quiseres". 

Hoje acordo de manhã (que é como quem diz, porque já era uma da tarde) e tenho uma mensagem dele a dizer "Já não é preciso pensares mais. Esquece". Vou ao snapchat e vejo um snap que foi mandado por uma das melhores amigas dele, só para mim (porque as minhas amigas receberam os restantes snaps do acampamento, exceto esse) em que ele estava na mesma tenda dela e estavam a rir-se e elas a dizer "olha a V. não está toda vestida" e ela "deixem de ser parvas". Não foi preciso muito para somar 1 + 1. E mandei-lhe sms a dizer "Gostavas tanto de mim que bastou a merda de um acampamento para comeres a V. (vamos chamá-la pela inicial do apelido)" Ele diz que não o fez e que mesmo que o tivesse feito (isto não responde à questão nem nada) eu me estava a cagar para ele, por isso não havia problema. Desde quando é que isso é desculpa para alguma coisa? A sério, que o meu mundo caíu quando eu vi o snap e o associei à mensagem. Foi a primeira vez que chorei por um rapaz. Nunca antes tinha chorado por ninguém. Agarrei-me à almofada como se estivesse a perder o fôlego, foi essa a sensação. A questão é que não sei se me sinto assim por gostar realmente dele ou se por ser um choque tão grande, num momento tê-lo comigo e em outro, sentir que o tinha perdido para outra pessoa e que ele não estava mais interessado em mim. Ele é um cabrão. Basicamente ele não quer é estar sozinho..ele não tem qualquer compromisso com ninguém. Já várias vezes ele se mostrava interessado desde a primeira vez que namorámos, namorava ele com a V. e quando eu lhe dava com os pés, ele voltava automaticamente a ficar bem com ela. Sou uma burra, não sou? Tenho de parar com isto, de fechar este capítulo que já achava fechado há muito tempo e que voltou a acontecer este Verão. E o pior é que vou ter de o ver a ele e a ela nos próximos dias. Porque mesmo que eu me tenha apercebido que talvez goste dele, não vou voltar para ele depois disto. Vou ter de aprender a viver sem ele. 

Beatriz, 17. Ciências e Tecnologias


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