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Delicate Notes

As memórias são para ser partilhadas

O tempo

Sinto o tempo a passar cada vez mais depressa, a fugir-me por entre os dedos. Parece que ainda ontem as aulas começaram e no entanto, já passou quase um mês. E tanta coisa que muda num mês. E se muda num mês, quanto mais num ano. Este mês foi um mês de emoções novas, mas dolorosas. E consegui aperceber-me de que passamos mais de metade do tempo que temos a esperar pelas coisas. Temos sempre tanto para fazer, queremos sempre fazer tudo, vivemos alimentados por sonhos. 

Passamos o ano inteiro a querer o Verão, a querer o Natal, a querer o fim-de-semana, a querer receber uma mensagem a dizer "desculpa" ou simplesmente um "olá". Passamos a vida à espera de alguém. E com tantas esperas, não perdemos tempo? 

Ele pediu desculpa

E queria que ficássemos amigos. Pena que só agora se preocupe com isso. Agora é tarde. Demais. Não preciso de desculpas se ainda não tiver percebido o quanto me magoou e que sirvam apenas para lhe tirar o peso da consciência.

#HeForShe

No final de Outubro terei de fazer uma apresentação na disciplina de Inglês sobre uma celebridade de que goste e com quem me identifique. Como pessoa indecisa que sou, escolher uma celebridade seria bastante complicado para mim. Primeiro, porque quando a professora me pediu o trabalho, nenhum nome me veio automaticamente à cabeça por ter tal admiração por essa pessoa e depois porque de entre tantas possíveis e das quais gosto do trabalho, eleger um era tarefa difícil. No entanto, acabou por se tornar bastante simples e decidi-me pela Emma Watson. Confesso que o que me influenciou nesta escolha foi o seu discurso nas Nações Unidas defendendo o Femininismo. Juntando a isto, o facto de participar em filmes que são especiais para mim, como a Saga Harry Potter e  As Vantagens de Ser Invisível. O que acham da escolha? 

Dar tempo ao tempo

Bc i miss you.

São os se's que nos ficam a ecoar na cabeça. As palavras por dizer, as decisões precipitadas e os beijos não dados. O tempo perdido. Porque quando damos conta, já passou, já aconteceu. E não o vivemos. 

15 de Setembro. O meu dia de anos e a mensagem de aniversário que mais queria receber era a dele. Queria ver se ia ser carinhoso comigo ou se ia manter a distância ou se nem se quer me ia dar os parabéns. Mas deu. Acordei logo de manhã com a mensagem dele, distante, mas ainda assim uma mensagem. Eu tinha dito a mim mesma que não ia deixar a amizade ficar para trás, que ia lutar por isto. E foi isso que fiz. Nesse dia falámos sobre o primeiro dia na Metropolitana e a conversa foi distante, como conhecidos a conhecerem-se. Foi então que, após ele ir dormir lhe deixei uma mensagem a dizer que não estava disposta a perder a nossa amizade e que quer ele quisesse, quer não, eu ia chateá-lo de vez em quando para saber como ele estava. E foi aqui que as coisas começaram a melhorar. A resposta dele fez-me andar com um sorriso nos lábios durante as primeiras duas semanas de aulas. Fomos falando, um bocadinho cada dia era suficiente para me confortar. Para sentir que ainda era um bocadinho meu. Eu achava mesmo que as coisas, com o tempo, iam voltar ao lugar. Falávamos como se nunca tivessemos acabado. Na altura em que tomei esta decisão, a 29 de Agosto, eu disse-lhe que se me arrependesse eu é que teria de levar com as consequências. E por isso mesmo, não fui falar com ele nunca, mesmo estando a sofrer. Se não tivesse sido ele, a voltar a falar comigo, a dar-me esperanças...Mensagens que eu acreditava serem verdade. 

29 de Setembro. Duas semanas passaram e eu tinha a sensação de o ter perdido. Não falávamos desde Sexta. Até que foi aqui que a bomba rebentou. Ele voltou para a V. O que eu tanto temia, aconteceu. E todo este tempo, ele fez isto para se vingar de mim, porque segundo ele andei a gozar com a cara dele. Sim, porque eu terminei com ele porque me deu gozo, por gosto de o fazer sentir mal. Coitadinho, deve ter sofrido tanto. Basicamente, enquanto tentava resolver as coisas com a V., dava-me esperanças como se fossemos voltar. A M. (melhor amiga dele e grande amiga minha) e a V. achavam que ele estava a resolver as coisas como deve de ser. Que já me tinha contado que tinham voltado. Mais uma mentira. Ele não me disse nada e disse-lhes a elas que já me tinha contado. Na noite de segunda-feira não chorei. O que sentia era mais raiva que outra coisa. A V. veio falar comigo e digo-vos que a conversa me soube bem. Finalmente pusemos assuntos que trazíamos atravessados há anos em cima da mesa e esclarecemo-los. Fiquei admirada com a atitude dela, revelou ser madura e uma pessoa que eu achava que ela não era. Mas isso não muda nada.

30 de Setembro. A sensação de que alguém me arrancou algo, uma dor no peito, uma sensação de falta de ar atingiu-me nessa noite. Abri a janela, pus música nos ouvidos e chorei a olhar para as estrelas. Deitei tudo cá para fora. Tudo. Ela confrontou-o e ele disse que só fez isso para se vingar. Aliás, ele respondeu-me "É assim, o que é que tu pensavas? Andaste montes de tempo a gozar comigo e agora não te fazia nada? Estavas enganada." Eu achava que ele tinha crescido, que tinha mudado, que as coisas estavam diferentes. Defendi-o de todos os meus amigos, alegando que ele não era aquilo que revelou ser e que sempre me disseram que ele era. Nunca me tinha sentido assim. Nunca. É como se tivessem arrancado um pedaço de mim, como se levasse um murro na cara e a dor não passasse. 

Se eu tivesse estado mal como estava e como vos contei, no início do mês, por esta altura já me sentia muito melhor e estava a conseguir recompor as coisas. Mas não, assim foi pior. Eu estava mal, voltei a estar bem por achar que as coisas iam voltar e depois é como se tudo me caísse em cima, fiquei ainda pior do que já estava.

E depois uma amiga minha que também anda na Metropolitana vinha com ele no comboio e ela deve ter-lhe dito que estava a falar comigo e ele disse "diz-lhe olá". Ele deve achar que continuamos amigos ou que eu quero se quer que ele se aproxime?? Pelo que percebi, ele acha que aquelas duas semanas eu andava a brincar com ele e que já não gostava dele, que foi exatamente o que andei a tentar provar-lhe, que gostava. Ele tem medo de ficar sozinho, só pode. 

Irrita-me saber que o continuo a querer, todos os dias. E que no entanto, ele não merece isso. Irrita-me a crer que se me desse uma oportunidade eu voltava. Porque depois de tudo isto, tenho de ser racional. E por mais que me magoe mais estar sem ele que com ele, esta atitude foi muito forte. Magoou-me e continua a magoar-me todos os dias, mesmo que ele não tenha noção disso. Não tenha noção do que fez. Porque na verdade, de mim ele não merece nada. Nem raiva ele merece. E continua a ter tudo e a achar que basta estalar os dedos quando lhe apetecer e ter-me de novo. Porque eu sei que vai acontecer. Esta história já é antiga. Ele saltita entre mim e ela. E ele vai voltar. Mas aí vou ter de ser mais forte e não querer, por mais que, no fundo queira. Porque por mais que diga e prometa a mim própria que nunca mais volto, acabo sempre por voltar. Mas desta vez tem de ser diferente.

Mas contudo, ainda tenho esperança. Ainda espero que volte. E se pudesse, voltava atrás um mês e fazia tudo diferente. Por outro lado, isto ensinou-me o tipo de pessoa que não quero para mim. Eu só precisava que passasse agora, não daqui a não sei quanto tempo, como toda a gente diz. Que com o tempo tudo passa. Mas eu não quero com o tempo, quero AGORA. Porque está a tornar-se demasiado doloroso.

Talvez um dia voltemos. Talvez nunca voltemos. Mas agora, o que somos? Apesas estranhos com algumas memórias.

 

Pessoas importantes, memórias desvanecidas

O meu avô paterno morreu quando era muito novinha, tinha acabado de entrar para a pré-escola com os meus 5 anos. Este ano faz 10 anos e parece que foi ontem. Lembro-me que na altura a notícia foi bastante inesperada e recordo-me da minha mãe receber uma chamada do meu pai e em seguida sair de casa, ficando eu com os meus avós e não me lembro se a minha irmã também cá estava ou não. Só sei que eu chorei durante imenso tempo enquanto desenhava e os meus avós tentavam acalmar-me. Nesta altura eu ainda não sabia da perda nem sequer sabia o motivo pela qual a minha mãe tinha saído. Mas não sei se foi pressentimento ou se foi mesmo por ficar sem a minha mãe durante aquele momento que chorei desalmadamente. 

Tenho imensa pena de ser tão pequena na altura, porque a verdade é que tudo o que tenho desse avô são memórias bastante desvanecidas e algumas passagens. Recordo-me dele com um sorriso e penso que me dava muito bem com ele. Aliás, penso que me dava tão bem que me sinto triste por não me recordar desses tempos, por passado este tempo quase nada ter ficado na minha memória dele. Sinto uma tristeza, um vazio. Por não o ter conhecido realmente, por não ter tido a oportunidade de criar memórias que pudesse recordar. De não saber como ele era, como pessoa, como pai, como marido, como avô. Conheço-o como as personagens de um livro, pelos álbuns de fotografias e pelas histórias que os meus pais contavam quando era pequena. 

Não me lembro mais que isto. E queria mais.

Wake me up when September ends

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E finalmente acabou. Não que a mudança de mês signifique uma mudança de espírito, mas pelo menos dá-nos a ideia de um novo começo, novas oportunidades. 

Muita coisa ficou para trás...Posts inacabados, ideias guardadas nos rascunhos, textos começados e que foram apagados logo de seguida e os que foram pensados, mas não passaram para o "papel". Setembro foi turbulento e agora chega a altura de voltar para aqui e voltar ao normal. Porque afinal é o "normal" que me faz sentir melhor e não pensar em outras coisas.

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